O petit gâteau é um pequeno bolo arredondado que, quando aberto, deixa escorrer uma mistura achocolatada de dentro. Suas origens são controversas, no entanto, há quem diga que remontem a um erro, pois diz-se que um e outro cozinheiro empreenderam o novo bolo ao errar uma receita. Para todos os efeitos, não se pode deixar de notar que aprender a fazer esse bolinho meio cru pode ser literalmente como estar

“APRENDENDO UM ERRO”


Primeiramente, não é irrelevante dizer que dependerá do tamanho das formas o número de bolos que poderão ser feitos. Como a minha é mais rasa, rendeu mais que esperava. Cada orifício (e a assadeira possui 12 deles) tem 3 cm de profundidade e 7 cm de largura boca e fundo e a forma é antiaderente, mas, se for o caso, não vá achando como eu outrora imaginava (oh!) que não deva ser untada – unte forminhas antiaderentes!
Quanto ao ingrediente-chave, é possível substituir o chocolate meio amargo pelo que for ao leite. A diferença é que ao leite tem mais açúcar e o teor de cacau no chocolate meio amargo é maior. Hoje, existem no mercado barras de um quilo de chocolate denominado Blend, que é uma mistura daqueles dois tipos - optei, aliás, por este.

Os ingredientes para a massa do bolo foram medidos com base nesta receita, pois me agradou a ideia de que grande parte da massa viesse a se constituir do meio quilo de chocolate (chocólatra!). Os ingredientes:

"* ½ kg de chocolate meio amargo;
* 200 g de manteiga;
* 100 g de açúcar;
* 10 ovos;
* 100 g de farinha de trigo."


Como se faz:
* misturam-se os ovos numa vasilha;
* acrescentam-se os gramas previstos de açúcar e trigo. Aconselha-se que os ingredientes até aqui mencionados venham peneirados para evitar os gominhos que ficam quando misturados. Não peneirei e deu certo. No entanto, a presença dos gomos fez-me sentir impelida a mexer ainda mais a massa, um tipo de intranquilidade a ser evitada com o uso da peneira;
Desenho de Mafagafizar
* à já quase finalizada massa, adicionam-se o chocolate e a manteiga derretidos em banho-maria (aqui se segue o conselho do chef Erick Jacquin para derretê-los juntos, já que a manteiga ajuda o chocolate a liquefazer). Como a coisa anda, hoje já há panelas feitas especificamente para esse fim, no entanto há outras formas de se fazer.
Sobre o banho-maria:
Trata-se de um recipiente colocado sobre outro que, por sua vez, tem água fervente. Desse modo, o que quer que seja cozido ou, nesse caso, derretido, não vai perdendo algumas de suas propriedades magníficas e fica num ponto desejado, sob a ação do vapor.
Essa parte, improvisei com uma panela em cima da outra, lembrando sempre que é essencialmente o vapor que irá dar o efeito ao processo. (Para essa improvisação, contei com a vaga lembrança deste texto.)




* untam-se as forminhas com manteiga sem sal e trigo. Pode-se untar com chocolate em pó ao invés da farinha; a escolha é toda nossa. A massa é deixada no refrigerador por cerca de 30 a 35 minutos, então é colocada na forma, deixando-se um pequeno espaço vazio na forminha que é para o que vai crescer do pequeno bolo (isto é o que todo mundo diz e trato de repetir);
* o tempo de assadura por aqui foi de 13 minutos em forno preaquecido em 180°. Varia de forno para forno a reação da massa. Os bolos estarão bem assados não quando parecerem rijos por inteiro, mas apenas nas bordas. O centro do petit gâteau é meio cru, fica mole e é o que permite que o chocolate escorra. Agora, observe essas duas fotos com tentativas de tirar os pequenos bolos das formas:



Aqui está uma mesma massa desenformada de dois modos. Primeiro, com a colher, espátula e objeto pontiagudo não identificado. O segundo modo é como Erick Jacquin desenforma nesse vídeo, virando a forma e deixando que o bolo caia por inteiro da forminha no prato, ou, no meu caso, na tábua de cortar. Pelas delatórias imagens, podem ver como funcionou melhor.
Por hoje é só.
Quer dizer, cabe ainda um adendo: sabia que o chocolate preto combate o envelhecimento e ajuda a elevar níveis de serotonina, o neurotransmissor que, dentre outras funções, auxilia na regulação do humor e que dá sensações de alegria? A esse respeito, há um artigo aqui que vale a pena conferir.
Agora, sim. Vou-me.
Abraços e até mais!

P. S.: coloquei um pouco de calda de caramelo sobre o bolo, mas isso é bem opcional.