Já teve aquele pensamento “nossa, queria ter mais tempo para cozinhar” ou “há tanto que fazer, cozinhar pra quê?” ou, já com a mão na massa, “puxa, tinha que estar lendo aquele livro agora” ou “isso não poderia ser meio que adiado para a semana que vem ou talvez para o próximo ano?” Essas ideações tão possíveis de acontecerem passaram por minha cabeça. No entanto, havia algo de subversivo em cozinhar ao pensar naquela empada desmanchando na boca ou pequenos prazeres proibidos em uma rotina tão diligentemente seguida, prazeres que, por vezes, vem açucarados e que são provenientes do produto final lá na panela. Há que se descobrir um novo sabor eventualmente.

E há que cortar cebolas rápido. Oh! Sim e tem uma imagem quanto a isso que vem bem nítida à mente:


É do filme Julie & Julia, uma produção toda adornada sobre os fatos reais nos quais se baseia e muito legal de se ver. Naquela cena, Julia estava praticando em casa após ser desafiada no curso de culinária, onde disseram que ela não era capaz de produzir montinhos de cebola tão rápido quanto deveria. Agora veja a reação do marido dela: ele cobre os olhos. Será que os gases liberados pelo trabalho duro de Julia já chegaram aos olhos de Paul? Não é nada raro chorar enquanto cebola é descascada, quando processos químicos até então adormecidos são desencadeados até que, em contato com os olhos, irritam-nos.

Hoje, pela primeira vez na vida toda desde que conheci o descasque e corte de cebolas, consegui cortar uma mais rápido. Movia a cebola, enquanto a faca ficava naquela posição mecânica de sobe e desce que se observam os chefs fazendo nesses filmes ou programas na arte culinária. Confesso que senti certo orgulho, enquanto as lágrimas brotavam do fundo da irritação das células de meus olhos. Certamente, como disse um amigo certo dia, cortando-as embaixo d’água, não se irritam as células. Bem, já era tarde demais. 

Antes que me esqueça, há uma forma bem prática para picar cebolas mostrada neste vídeo que está em inglês, mas se não for a sua praia, as imagens orientam por si. Tentei em casa e funcionou. (iei!)

E, ora pois, vamos mudar de óleo para açúcar com três modos de preparo rápido de doces gostosinhos. Aprendi o primeiro com a Genilda de São Bernardo do Campo e não há muito que dizer a respeito, a não ser: “é de açaí, aliás uma boa fonte de energia. Por favor, observe o preparo no vídeo mais à frente no post”.

Para o segundo doce, você precisará de "goma de mandioca", utilizando os termos corretos segundo informações daqui para o que eu chamaria com a maior naturalidade de massa para tapioca normalmente. E precisará também de leite condensado. 

A goma é feita à base de fécula de mandioca e água. Fécula, palavra que coloquialmente pode ser substituída por amido ou polvilho, segundo o dicionário Michaelis e meio que a Maristela

Os passos são mostrados no vídeo. Também não há muito que dizer a respeito nesse momento sobre a feitura, exceto que se deve espalhar a "massa" na frigideira, deixar cada lado esquentando conforme o indicado na embalagem (se passar um tanto do tempo, o resultado será uma tapioca crocantíssima e em igual medida duríssima; se deixar para menos, fica muito molinha) e – importante! – se for fazer uma segunda, terceira, quarta, quinta tapioca na mesma frigideira, espere que esta esfrie um pouco entre uma e outra, pois será mais difícil espalhar a "goma" em uma frigideira muito quente, já que, desta forma, a massa já insiste em começar a se formar antes do tempo. A Química explica.

O terceiro doce, eu o chamo de ‘mingau de chocolate’, porque tem um gosto parecido com o de mingau por causa do amido de milho - inclusive adiciono-o um tanto à mais que a receita original para ficar grossinho e ainda mais semelhante ao dito cujo. Para uma porção, considere:

· um copo de leite;
·  uma colher ou uma colher e meia de amido de milho (quanto mais amido, mais grosso);
·  60 gramas (ou metade da metade de um copo) de chocolate em pó;
·  muito pouco açúcar (o pó de chocolate já adoça um tanto, então não exageremos).

Primeiro, todos os ingredientes são misturados na panela ainda longe dos efeitos caloríferos de um fogão aceso. Só então, dica da Receita Original, só então liga-se o fogo na mais alta temperatura para depois baixar quando começar a ferver. Vá sempre mexendo com a colher, diz a Receita Original.

Houve há muito muito tempo aqui um post sobre amido, mas daquele que se referia ao trigo ou quíçá à mandioca. Mas, sim, aqui vem à tona um outro tipo que é o de milho. Curiosamente, se fizer uma pesquisa nos mecanismos de busca, irá ver uma associação dele à Maizena, primeiro a marca, mas mais curioso ainda é encontrar maisena no dicionário, por exemplo. Sim, passou a existir no vernáculo também, só que com "s". Há um interessante artigo aqui a respeito disso e desse alimento produzido artesanalmente por índios e próprio da culinária indígena que foi apreciado ao longo do tempo até para passar certos tipos de roupas.

Em tempo, há amido de milho de outras marcas, embora Maizena tenha sido popularizada. Inclusive, a que utilizei recentemente é de outra.

Por hoje é só! Até mais!